Artigo 19/10/2026

Adenomastectomia: o que é, quais as indicações e como é a recuperação

Saiba ainda qual a sua relação com a prevenção do câncer de mama

A saúde das mamas faz parte do cuidado integral com a mulher e pode trazer dúvidas em diferentes fases da vida. O Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama, é uma oportunidade para buscar informação confiável, conversar sobre prevenção e entender quais cuidados fazem sentido para cada história. Entre os temas que podem surgir nessas conversas está a adenomastectomia, uma cirurgia que, em situações específicas, pode ser considerada para reduzir o risco de desenvolver a doença.

Entender o que o procedimento envolve — e saber que ele não é indicado para todas as mulheres, nem elimina completamente o risco — é um primeiro passo para uma conversa com a equipe médica.

Busto de mulher branca com sutiã bege fazendo autoexame na mama direita

O que é adenomastectomia?

A adenomastectomia é uma técnica cirúrgica de remoção do tecido glandular mamário. Conforme a situação clínica e a abordagem planejada, a cirurgia pode preservar parte da pele e, quando considerado seguro e adequado, o mamilo e a aréola.

Entretanto, a preservação dessas estruturas não é possível ou apropriada em todos os casos. A escolha da técnica depende de fatores como o motivo da cirurgia, a anatomia da mama, os exames e a avaliação médica. Quando desejada e indicada, a reconstrução mamária pode ser realizada junto com a cirurgia ou em outro momento.

O termo adenomastectomia pode ser usado de maneiras diferentes na prática médica. Por isso, é importante perguntar ao especialista qual técnica está sendo proposta e o que ela envolve no caso específico.

Adenomastectomia, mastectomia e mastectomia redutora de risco: qual é a diferença?

  • Mastectomia é um termo amplo para cirurgias que removem tecido mamário. Há diferentes técnicas, que podem variar quanto à preservação da pele, da aréola e do mamilo. Geralmente, é indicada para o tratamento de cânceres já estabelecidos.
  • Adenomastectomia costuma se referir a uma técnica de remoção do tecido glandular com preservação de estruturas da mama, quando isso é indicado e seguro.
  • Mastectomia redutora de risco descreve a finalidade da cirurgia: reduzir a probabilidade de câncer de mama em uma pessoa com risco elevado.

Como os termos podem variar, a equipe médica deve explicar qual procedimento está sendo recomendado, os seus objetivos e suas limitações.

Em quais situações a adenomastectomia pode ser considerada?

A adenomastectomia redutora de risco pode ser discutida em situações específicas, como quando há uma variante genética associada a risco elevado ou um histórico pessoal e familiar que justifique uma avaliação mais aprofundada. A análise pode envolver informações sobre casos de câncer na família, idade ao diagnóstico, resultados de testes genéticos e histórico de saúde da própria paciente.

Vale reforçar que ter familiares com câncer de mama não significa automaticamente que a cirurgia seja indicada. Da mesma forma, a decisão não deve se basear apenas em preocupação ou medo, sem avaliação do risco individual.

Algumas alterações encontradas em biópsias também podem exigir acompanhamento especializado. Mas elas não levam automaticamente à indicação de cirurgia redutora de risco: a conduta depende do tipo de alteração e do conjunto das informações clínicas.

O caso da atriz Angelina Jolie tornou mais conhecida a cirurgia redutora de risco. Em 2013, após saber que era portadora de uma variante no gene BRCA1, que eleva o risco de desenvolver câncer de mama e de ovário, ela relatou ter optado por uma mastectomia bilateral preventiva. Sua experiência ajuda a mostrar que essa decisão é individual: a cirurgia pode reduzir o risco, mas não o elimina, e deve ser considerada com orientação médica especializada.

Como é avaliado o risco individual de câncer de mama?

A avaliação considera diferentes aspectos, como histórico familiar, idade, antecedentes pessoais e, quando indicado, informações genéticas. O profissional pode usar ferramentas de estimativa de risco como parte dessa análise, mas nenhum cálculo isolado determina, por si só, a necessidade de uma cirurgia.

A avaliação pode ser feita por mastologista e, quando pertinente, incluir aconselhamento genético. O objetivo é compreender melhor o risco e conversar sobre as opções possíveis, que podem incluir vigilância individualizada, medicamentos em situações selecionadas ou cirurgia.

A adenomastectomia previne o câncer de mama?

Quando realizada com o objetivo de reduzir o risco, a cirurgia remove grande parte do tecido mamário, mas não garante risco zero. Uma pequena quantidade de tecido pode permanecer, e a paciente deve seguir as orientações de acompanhamento definidas pela equipe médica.

O caso da influenciadora Mari Anjo Rosa também ajuda a ilustrar que a retirada das mamas não significa risco zero. Em relatos públicos, ela conta que recebeu um diagnóstico de câncer de mama, passou por uma mastectomia bilateral e, cerca de um ano e meio depois, teve um novo diagnóstico.

Por isso, lembre-se: a palavra “prevenção” pode aparecer em conversas informais, mas é importante entender a diferença entre reduzir o risco e impedir que a doença aconteça. A indicação deve considerar os benefícios esperados, os riscos da cirurgia, as alternativas e as preferências da paciente.

Cirurgia redutora de risco e exames de rastreamento

A cirurgia redutora de risco e o rastreamento têm objetivos diferentes. A cirurgia busca diminuir a quantidade de tecido mamário em que um tumor poderia se desenvolver. Exames como mamografia e ressonância magnética podem ser recomendados, conforme o perfil da paciente, para acompanhar a saúde das mamas ou investigar alterações.

A escolha dos exames e a frequência do acompanhamento devem ser definidas individualmente. Exames de rastreamento não impedem o câncer de surgir, mas podem ajudar a identificá-lo; já a cirurgia não elimina a necessidade de conversar com a equipe sobre os cuidados após o procedimento.

Como decidir sobre fazer uma adenomastectomia ou não?

A decisão deve ser compartilhada entre paciente e equipe médica. O especialista apresenta as informações clínicas, os benefícios possíveis, os riscos, as alternativas e as incertezas. A paciente pode trazer suas dúvidas e prioridades para a conversa.

É importante compreender que não existe uma resposta única para todas as mulheres. Em alguns casos, a vigilância individualizada pode ser uma alternativa à cirurgia; em outros, a mastectomia redutora de risco pode ser a opção mais adequada. A escolha precisa respeitar a situação clínica e ser tomada com informação e tempo para reflexão.

Médico e médica avaliam, juntos, paciente sentada à frente deles
Conversar com a equipe médica e tirar todas as dúvidas antes de qualquer decisão é altamente recomendado

Como é a avaliação antes da cirurgia de adenomastectomia?

Antes de uma adenomastectomia, a equipe avalia o histórico de saúde, os exames já realizados e a indicação do procedimento. Os exames necessários e a participação de outros profissionais variam conforme o caso.

Quando há suspeita ou risco elevado, a avaliação também ajuda a verificar se existe alguma alteração que precise de investigação ou tratamento específico antes de se definir a estratégia cirúrgica.

Histórico de saúde e exames

Na consulta, o profissional pode perguntar sobre doenças, medicamentos em uso, cirurgias anteriores, histórico familiar e objetivos da paciente. Exames de imagem ou outros testes podem ser solicitados de acordo com a indicação e o planejamento.

A paciente deve receber explicações sobre as etapas previstas e ter espaço para esclarecer dúvidas antes de tomar uma decisão.

Aconselhamento genético, quando indicado

Se o histórico pessoal ou familiar sugerir a possibilidade de predisposição hereditária, o aconselhamento genético pode ajudar a avaliar se um teste é apropriado e a interpretar seus resultados. A indicação de um teste, assim como o significado de um resultado, deve ser discutida com profissionais qualificados.

Benefícios, riscos e alternativas

Como em qualquer cirurgia, há riscos que precisam ser conversados antes do procedimento. Eles podem incluir sangramento, infecção, alterações na cicatrização, mudanças na sensibilidade e complicações relacionadas à reconstrução das mamas, quando realizada.

Também é importante conversar sobre as opções de reconstrução, a possibilidade de não reconstruir e as alternativas de acompanhamento. As informações devem ser individualizadas: afinal, cada pessoa é única, e os riscos e benefícios podem variar conforme a saúde, a anatomia e a técnica planejada.

Como é a recuperação da adenomastectomia?

A recuperação varia conforme a extensão da cirurgia, a realização ou não de reconstrução e as características de cada paciente. A equipe fornece orientações sobre cuidados com as incisões, controle de desconforto, movimentação, retorno às atividades e consultas de acompanhamento.

Algumas pacientes podem precisar de drenos por um período, mas isso depende da técnica e da evolução do processo de recuperação. Restrições de movimento e o tempo para retomar atividades também devem ser definidos pela equipe responsável — não há um prazo único que se aplique a todas as pessoas. Vale reforçar que seguir as recomendações médicas quanto à fase de recuperação influencia muito no resultado da cirurgia.

Reconstrução mamária: quais são as possibilidades?

Este é um tema que gera muitas dúvidas. A reconstrução pode ser feita com implantes, com tecidos do próprio corpo ou por outras abordagens. Ela pode ser realizada na própria cirurgia da mastectomia ou posteriormente. Também é válido conversar sobre a cirurgia sem reconstrução para obter informações que possam auxiliar na decisão do caminho a ser seguido.

A escolha sempre vai depender das condições clínicas, da técnica cirúrgica, dos objetivos da paciente e da avaliação dos profissionais envolvidos. A equipe deve explicar as possibilidades e o que se pode esperar de cada uma.

Tem dúvidas sobre a saúde das suas mamas?

A equipe da Clínica AudiMontedonio está preparada para acolher sua história e esclarecer suas dúvidas, considerando a sua saúde de forma integral. Neste Outubro Rosa, aproveite para olhar com carinho para as suas mamas e buscar informações que façam sentido para você. Conte conosco para cuidar de você e ajudá-la a colocar sua saúde em primeiro lugar.

Palmas das mãos de uma mulher branca segurando um laço rosa que representa o símbolo da campanha Outubro Rosa sobre prevenção ao câncer de mama

Perguntas frequentes sobre adenomastectomia

A adenomastectomia elimina a sensibilidade das mamas?

A sensibilidade pode mudar após a cirurgia, e a extensão dessa mudança varia conforme a técnica e a resposta de cada organismo. A equipe deve explicar as possibilidades antes do procedimento.

É possível amamentar após a adenomastectomia?

A remoção do tecido glandular e dos ductos pode comprometer a amamentação na mama operada. Como a possibilidade depende da cirurgia planejada e de outros fatores, essa questão deve ser discutida antes do procedimento — especialmente por quem deseja ter filhos ou amamentar no futuro.

Mulheres sem histórico familiar podem fazer adenomastectomia redutora de risco?

A cirurgia não costuma ser indicada para mulheres com risco habitual apenas como forma de prevenção. A indicação depende de uma avaliação completa, que pode considerar fatores além do histórico familiar. Converse com um especialista para entender o seu caso.

A reconstrução é obrigatória?

Não. A reconstrução pode ser discutida como uma opção, mas não é obrigatória. A escolha deve considerar as condições clínicas e as preferências da paciente.

Sobre o autor

Dr. Josué Montedonio é cirurgião plástico em Santos, graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e com especialização na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Reconhecido como um dos médicos mais bem avaliados do Brasil, possui mais de 1 mil avaliações 5 estrelas no Google. Membro das principais sociedades médicas nacionais e internacionais, atua há 15 anos ao lado do renomado cirurgião plástico Dr. Antonio Esaú Ferraz de Almeida.